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Kizomba, Zouk e Coladeira: Diferenças, Origem e Influências

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Kizomba, Zouk e Coladeira: Origens, diferenças e influências cruzadas

Afinal, a Kizomba é de Cabo Verde ou de Angola? E o Zouk é a mesma coisa que Kizomba?
Essas dúvidas são comuns, e a confusão faz sentido — afinal, os estilos se influenciaram mutuamente ao longo do tempo. Vamos esclarecer tudo.


A origem da Kizomba

A Kizomba é um estilo musical originalmente de Angola, surgido nos anos 1980. Ela nasceu a partir de influências de géneros angolanos mais antigos, principalmente o Semba. A dança da Kizomba também já existia quando o género começou a ganhar forma, contribuindo para sua identidade desde cedo.


O nascimento do Zouk

Quase ao mesmo tempo, nas Antilhas Francesas (Guadalupe e Martinica), surgia o Zouk, criado pela banda Kassav’, formada nos anos 1970. Eles misturaram ritmos tradicionais antilhanos com influências de:

  • Calypso (Trinidad e Tobago)
  • Makossa (Camarões)
  • Música carnavalesca local

O primeiro grande sucesso foi “Zouk La Sé Sél Médikaman Nou Ni”, cantado em crioulo antilhano. O refrão popularizou tanto a música quanto o próprio nome “Zouk”, mesmo entre franceses que não entendiam o que a letra dizia.


O encontro entre Zouk e Kizomba

Em 1985, Kassav’ realizou o seu primeiro concerto em Angola — um enorme sucesso.
Lá, conheceram Eduardo Paim, um dos pioneiros da Kizomba, que percebeu semelhanças rítmicas entre o que Kassav’ fazia e o que os angolanos estavam a desenvolver.

O Zouk já era um estilo consolidado; a Kizomba ainda estava em construção. Esse encontro gerou uma troca de experiências:

  • O Zouk influenciou a estrutura e o desenvolvimento da Kizomba.
  • A Kizomba influenciou especialmente a dança do Zouk, que incorporou movimentos angolanos.

Conclusão: Zouk e Kizomba não são a mesma coisa, mas tiveram influências recíprocas.


E onde entra Cabo Verde nesta história?

Muita gente acredita que a Kizomba é de Cabo Verde, mas isso é um engano comum. Essa confusão acontece por causa da relação histórica entre o Zouk e um estilo cabo-verdiano muito mais antigo: a Coladeira.


A Coladeira: um estilo cabo-verdiano de raiz

A Coladeira surgiu nos anos 1930, derivada da Morna, um dos estilos mais tradicionais de Cabo Verde.

Conta-se que, durante a execução de uma Morna, alguém acelerou acidentalmente o ritmo da música, criando um novo “tempo” inesperado. Essa descoberta despertou interesse em explorar aquela sonoridade diferente — e assim nasceu a Coladeira, que com o tempo ganhou forma e identidade próprias.


O Zouk chega a Cabo Verde

Cerca de 50 anos depois, já nos anos 1980, o Zouk tornou-se extremamente popular e eventualmente chegou a Cabo Verde. Lá, encontrou os músicos que já faziam Coladeira — e a semelhança rítmica chamou logo a atenção.

Os artistas cabo-verdianos perceberam que o Zouk não era tão distante da Coladeira, e passaram a incorporar algumas inspirações do Zouk no género cabo-verdiano. O resultado foi uma evolução da Coladeira tradicional e o surgimento de novos subgéneros, como:

  • CaboZouk
  • ColaZouk
  • CaboLove
  • Entre outros

Apesar disso, muitos cabo-verdianos mais conservadores não gostaram dessa fusão, temendo que influências estrangeiras apagassem elementos culturais importantes da Coladeira tradicional e reduzissem sua ligação com a Morna. Mas a popularidade do novo estilo foi tão grande que o fenómeno tornou-se irreversível.


E a confusão com a Kizomba?

A versão moderna da Coladeira — influenciada pelo Zouk — começou a soar, para muitos ouvintes, semelhante à Kizomba. Pessoas que não sabiam distinguir os estilos perguntavam:

  • “É Kizomba de Angola?”
  • “Não, é de Cabo Verde!”
  • “Então a Kizomba é de Cabo Verde?”

E assim nasceu a confusão. Mas a realidade é simples:

Kizomba é de Angola.
Coladeira é de Cabo Verde.
Zouk é das Antilhas Francesas.

São ritmos que se cruzam e se influenciam, mas não são o mesmo.


Diferenças principais entre Kizomba, Zouk e Coladeira

1. Língua predominante

  • Kizomba: português angolano
  • Zouk: crioulo de Guadalupe e Martinica
  • Coladeira: crioulo cabo-verdiano

A língua influencia o ritmo, o flow e a sonoridade geral.

2. Organização rítmica e flow

Cada estilo segue sua própria linhagem rítmica:

  • O flow dos artistas muda conforme a língua e a tradição do género.
  • A marcação rítmica também varia entre eles, mesmo que às vezes soem semelhantes.

3. Instrumentação

  • Kizomba: base rítmica mais marcada e presente
  • Zouk: base mais suave, com arranjos frequentemente mais melódicos
  • Coladeira: varia bastante; algumas versões modernas têm base forte, outras são mais leves

Exemplos de Zouk, Kizomba e Coladeira para comparar:

Kizomba; https://youtu.be/j9VTOmFKFcU?si=sKLCruwelNAnCwYc

Zouk: https://youtu.be/NMFMwvh9r1Y?si=xvaeCwiUMWb29a_0

Coladeira: https://youtu.be/0PJxIBeRnBQ?si=KH7pZDaImpmcwZp3

Kizomba: https://youtu.be/hGoTNBfrftE?si=JPPxKD4LgS0dCN_c

Zouk: https://youtu.be/_mphG4bz1Ek?si=4dUKk5NxC0gC7sM9

Coladeira: https://youtu.be/kX_NkWEBLVA?si=pMGXW1eJxHzQmycg

Kizomba: https://youtu.be/ihfsmlRCENc?si=uPEyEwPTMzAgUN3N

Zouk: https://youtu.be/5AseYAunfIU?si=c409UVzgFYAfw0Pi

Coladeira: https://youtu.be/KBMw2jCvx5k?si=1GIGljL2YzT096Mo


Nos Dias de Hoje

De lá para cá, tanto o Zouk como a Coladeira foram perdendo artistas e, ao mesmo tempo, deixaram de surgir novos nomes que mantivessem estes estilos tradicionais vivos, com lançamentos regulares. Artistas da Guadalupe e de Cabo Verde passaram a explorar novos géneros musicais, fazendo fusões com ritmos locais e urbanos. Com isso, o Zouk e a Coladeira tradicionais acabaram por ficar quase abandonados, restando sobretudo as músicas já criadas por artistas do passado, como os Kassav’, da Guadalupe e Martinica, e Jorge Neto, em Cabo Verde.

Ainda assim, mesmo com a ausência de novos fazedores de Zouk e Coladeira tradicional, as músicas criadas por esses artistas continuam a ser ouvidas com muita frequência até aos dias de hoje. Os apreciadores desses estilos descrevem essas canções como intemporais, verdadeiros clássicos que resistem ao tempo.

Por outro lado, em Angola, depois do surgimento da Kizomba, os produtores angolanos não ficaram parados. Continuaram a lançar hits até aos dias de hoje e, ao longo desse percurso, foram desenvolvendo novos subgéneros baseados na Kizomba e no Ghetto Zouk. Esses subgéneros apresentam uma sonoridade mais lenta, com uma base rítmica forte e melodias mais limpas e minimalistas.

A esse estilo, os angolanos passaram a chamar de Tarraxinha. Com o tempo, não só a música evoluiu, como também surgiu uma dança própria, marcada por movimentos mais contidos e sensuais. Mais tarde, a Tarraxinha ultrapassou fronteiras e foi levada para países como França, Holanda, Haiti, Guadalupe e Martinica, ganhando espaço nas pistas e nas academias de dança.

A Tarraxinha é uma dança mais lenta, mas bastante versátil, podendo ser dançada tanto ao som da própria Tarraxinha como da Kizomba, do Ghetto Zouk ou até de um Zouk mais lento, mantendo sempre a essência da conexão e da musicalidade africana.

Conclusão

Apesar das semelhanças, Kizomba, Zouk e Coladeira são estilos distintos, cada um com sua história, língua, evolução e identidade cultural.
O que existe entre eles é uma rica troca de influências, fruto de encontros históricos entre povos, ilhas e continentes.

Mas o que realmente intriga, é porquê que todos esses estilos têm tanta coisa em comum? Chegamos a conclusão que o motivo, é a origem, todos eles vêm da mesma fonte, rítmos de África, todos esses, e muitos outros estilos, vêm de uma única fonte, que se chama África!


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